“Por mais que na batalha se vença um ou mais inimigos, a vitória sobre si mesmo é a maior de todas as vitórias.”. - Buda Sakyamuni
Mostrando postagens com marcador Budismo.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Budismo.. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Tradução do Sutra de Lótus do Budismo de Nitiren Daishonin.


Capítulo Hoben (Meios)

*Myô- hô- ren guê- kyô-.
Sutra de Lótus
*Hô -ben- pon. Dai ni.
Capítulo Hoben (Meios)
Ni- ji- sê- son.
Nesse momento
Ju- san mai.
o Buda levantou-se
An jô- ni- ki-.
serenamente de sua meditação
Gô- shari hôtsu.
e dirigiu-se a Sharihotsu, dizendo:
Shô- bú’- ti- ê.
"A sabedoria dos budas,
Jin jin mu- lho-.
é infinitamente profunda e imensurável.
Gô- ti- ê- mon.
O portal dessa sabedoria é difícil de compreender
Nan guê- nan- nhu-.
e de transpor.
I’ sai shô- mon.
Nenhum dos homens de erudição
Hyaku shi- butsu.
ou de absorção
Shô- fu- nô- ti-.
é capaz de compreendê-la."
Shô- i- sha- ga-.
Qual é a razão disso?
Butsu zô- shin gon.
Um buda é aquele que serviu a centenas
Hyaku sem man nôku.
a milhares, a dezenas de milhares, 
Mu- shu- shô- butsu.
a incontáveis budas 
Jin gyô- shô- butsu.
e executou um número incalculável de práticas religiosas. 
Mu- lhô- dô- hô-.
Ele empenha-se corajosa e ininterruptamente 
Yu myô- shô- jin.
e seu nome é universalmente conhecido. 
Myô- shô- fu- mon.
Um Buda é aquele que compreendeu a Lei insondável 
Jô- ju- jin jin.
e nunca antes revelada, 
Mi- zô- u- hô-.
pregando-a de acordo 
Zui gui- shô- sêtsu.
com a capacidade das pessoas,
I- shu- nan guê.
ainda que seja difícil compreender a sua intenção. 
Shari hôtsu.
Sharihotsu 
Gô- ju- jô- butsu i- rai.
desde que atingi a iluminação 
Shu- ju- in nen.
tenho exposto meus ensinos 
Shu- ju- hi- yu-.
utilizando várias histórias sobre relações causais, 
Kô- en gon kyô-.
parábolas e inúmeros meios 
Mu- shu- hô- ben.
para conduzir as pessoas 
In dô- shu- jô-.
e fazer com que renunciem 
Lhô- ri- shô- jaku.
aos seus apegos a desejos mundanos. 
Shô- i- sha- ga-.
Qual a razão disso? 
Nhô- rai hô-ben.
A razão está no fato de o Buda 
Ti- ken hara mitsu.
ser plenamente dotado dos meios
Ka i- gu- sôku.
e do paramita da sabedoria. 
Shari hôtsu.
Sharihotsu, 
Nhô- rai- ti- ken.
a sabedoria do Buda 
Kô- dai jin non.
é ampla e profunda. 
Mu- lhô- mu- guê.
Ele é dotado de imensurável benevolência, 
Riki. Mu- shô- i-.
ilimitada eloqüência, 
Zen- jô-. Guê- dá’.
poder, coragem, 
San mai.
concentração, 
Jin- nhu- mu- sai.
liberdade e samadhis (meditação), 
Jô- ju- i’- sai.
aprofundou-se no reino do insondável 
Mi- zô- u- hô-.
e despertou para a Lei nunca antes revelada. 
Shari hôtsu.
Sharihotsu, 
Nhô- rai- nô-.
o Buda é aquele 
Shu- ju- fun bêtsu-.
e que sabe como discernir 
Gyô- sê’- shô- hô-.
e expor os ensinos habilmente. 
Gon ji- nhu- nan.
Suas palavras são ternas e gentis 
Ê’ ka- shu- shin.
e podem alegrar o coração das pessoas. 
Shari hôtsu.
Sharihotsu, 
Shu- yô- gon- shi-.
em síntese, o Buda compreendeu 
Mu- lhô- mu- hen.
perfeitamente a Lei ilimitada, 
Mi- zô- u- hô-.
infinita 
Bú’ shitsu jô- ju-.
e nunca antes revelada. 
Shi- shari hôtsu
Chega, Sharihotsu! 
Fu- shu- bu- sê.
Não vou mais continuar pregando
Shô- i- sha- ga-.
Por quê? 
Bú’ shô- jô- ju-.
Porque a Lei que o Buda revelou 
Dai- iti- kê- u-.
é a mais rara 
Nan guê- shi- hô-.
e a mais difícil de compreender. 
Yui butsu yô- butsu.
A essência real de todos os fenômenos 
Nai nô- ku- jin.
somente pode ser compreendida e partilhada entre os budas. 
Shô- hô- jí’- sô-.
Essa realidade 
Shô- i- shô- hô-.
consiste de: 
Nhô- zê- sô-.
aparência, 
Nhô- zê- shô-.
natureza, 
Nhô- zê- tai.
entidade, 
Nhô- zê- riki.
poder,
Nhô- zê- sa-.
influência, 
Nhô- zê- in.
causa interna, 
Nhô- zê- en.
relação 
Nhô- zê- ka-.
efeito latente, 
Nhô- zê- hô-.
efeito manifesto 
Nhô- zê- hôn
e consistência
má’ ku- kyô- tô-.
do início ao fim. 



Capítulo Juryo (Revelação da Vida Eterna do Buda)

*Myô- hô- ren guê- kyô-.
Sutra de Lótus 

*Nhô- rai ju- lhô- hon.
Jigague, trecho do capítulo Juryo
*Dai ju- rôku.
revelação da vida eterna do buda
Ji- ga- tôku bú’- rai.
Desde que atingi o estado de Buda,
Shô- kyô- shô- kô’- shu-.
infindáveis Kalpas

Mu- lhô- hyaku sen man.
transcorreram.
Ôku- sai a- sô- gui-.
Constantemente
Jô- sê’ pô- kyô- kê-.
venho pregando, ensinando e propagando
Mu- shu- ôku shu- jô-.
a Lei a milhares de seres vivos,

Lhô- nhu- ô- butsu dô-.
fazendo com que entrem no Caminho do Buda,
Ni- rai mu- lho- kô-.
e tudo isso durante intermináveis kalpas
I- dô- shu- jô- kô-.
Como um meio hábil,
Hô- bem guen- nê- han.
aparento entrar no nirvana para salvar todas as pessoas.
Ni- jitsu fu- mêtsu- dô-.
Mas, na realidade, não entro em extinção.
Jô- ju- shi- se’- pô-.
Sempre estou aqui ensinando a Lei.
Ga- jô- ju- ô- shi-.
Sempre estou aqui.
I- shô- jin zu- riki.
Porém, devido ao meu poder místico
Lhô- tem dô- shu- jô-.
as pessoas de mente distorcida não conseguem me ver
Sui gon ni- fu- ken.
mesmo quando estou bem perto delas.
Shu- ken ga- mêtsu dô-.
Quando essa multidão de seres vê que entrei no nirvana,
Kô- ku- yô- sha- ri-.
consagra muitas oferendas às minhas relíquias.
Guen kai ê- ren- bô-.
Todos abrigam o desejo único e ardente de contemplar-me.
Ni- shô- katsu gô- shin.
Quando esses seres realmente se tornam fiéis,
Shu- jô- ki- shin buku
honestos, justos e de propósitos pacíficos,
Shiti jiki i- nhu- nan.
quando ver o Buda é o seu único pensamento,
Í’ shin yô’- ken- butsu.
não hesitando mesmo que isso custe a própria vida, 
Fu- ji- shaku shin myô-.
então, eu apareço 

Ji- ga- gyu- shu- sô-.
junto à assembléia de discípulos
Ku- shutsu lhô- ju- sen.
sobre o Sagrado Pico da Águia.
Ga- ji- gô- shu- jô-.
Nesse momento, digo à multidão de seres:

Jô- zai shi- fu- mêtsu-.
eu sempre estou aqui, jamais entro em extinção..

I- hô- bem rí’ kô-.
No entanto, como um meio hábil,
Guen u- mêtsu fu- mêtsu.
algumas vezes aparento entrar no nirvana.

Yô- kôku u- shu- jô-.
E outras vezes, não.
Ku- gyô- shin gyô- sha-.
Quando em outras terras há seres
Ga- bu- ô- hi- tyu-.
que desejam respeitosa e sinceramente crer 
I-  sêtsu mu- jô- hô-.
então eu também, junto a eles, pregarei esta Lei insuperável.
Nhô- tô- fu- mon- shi-.
Porém, não compreendendo minhas palavras,
Tan ni- ga- mêtsu- dô-.
todos aqui insistem em pensar que eu morri.
Ga- ken shô- shu- jô-.
Quando vejo os seres afogados
Môtsu zai ô- ku- kai.
em um mar de sofrimentos
Kô- fu- i- guen shin.
eu não me exponho,
Lhô- gô- shô- katsu gô-.
para dessa forma fazer com que anseiem contemplar-me.
In gô- shin ren bô-.
Então, quando seu coração se enche de ansiedade,
Nai shutsu i- sê’- pô-.
finalmente apareço e ensino a Lei para eles.
Jin zu- riki- nhô- zê-.
Assim são meus poderes místicos.
Ô- a- sô- gui- kô-.
Por infinitas kalpas,
Jô- zai lhô- ju- sen.
sempre estive no Pico da Águia e em muitos outros lugares.
Gyu- yô- shô- ju- shô-.
Enquanto os seres presenciam
Shu- jô- ken kô- jin.
o final de um kalpa
Dai ka- shô- shô- ji-.
e tudo é consumido em chamas
Ga-shi-dô-an-non
esta minha terra 
Ten nin jô- ju- man.
permanece segura e tranqüila
On rin shô- dô- kaku.
sempre cheia de seres humanos e seres celestiais.
Shu- ju- hô- shô- gon.
Vários tipos de gemas adornam
Hô- ju- ta- kê- ka-.
seus corredores e pavilhões, jardins e bosques
Shu- ju- shô- yu- raku.
Árvores preciosas dão flores e frutos em profusão,

Shô- tem gyaku ten ku-.
sob as quais os seres vivem felizes e tranqüilos.
Jô- sá’ shu- gui- gaku-.
As divindades fazem repicar os tambores celestiais interpretando,
U- man da- ra- kê-.
sem cessar, a música mais diversa. Uma chuva de flores de mandara cai
San butsu gyu- dai- shu-.
espalhando suas pétalas sobre o Buda e a grande assembléia.
Ga- jô- dô- fu- ki-.
Minha terra pura é indestrutível,
Ni- shu- ken shô- jin.
porém, a multidão a vê

U- fu- shô- ku- nô-.
consumir-se em chamas,
Nhô- zê- shitsu ju- man.
mergulhada em sofrimentos, angústia e temor.
Zê- shô- zai shu- jô-.
Esses seres, devido a suas várias ofensas e causas
I- aku gô- in nen.
provenientes de suas más ações,

Ka- a- sô- gui- kô-.
passam infinitas kalpas
Fu- mon san bô- myô-.
sem escutar o nome dos três tesouros.
Shô- u - shu- ku- dôku.
Mas os que praticam os caminhos meritórios,
Nhu- wa- shiti jiki sha-.
que são nobres e pacíficos, corretos e sinceros,
Sô’ kai ken ga- shin.
todos me vêem aqui em pessoa,
Zai shi- ni- sê- pô-.
ensinando a Lei.
Waku ji- i- shi- shu-.
Às vezes para essa multidão exponho
Sêtsu butsu ju- mu- lho-.
que a duração da vida do Buda é imensurável;
Ku- nai Ken bú sha-.
e para aqueles que o vêem somente após um longo tempo
I- sêtsu butsu nan ti-.
exponho o quanto é difícil encontrar-se com ele.
Ga- ti- riki nhô- zê-.
O poder de minha sabedoria é tamanho
Ê- kô- shô- mu- lhô-.
que seus raios iluminam o infinito.

Ju- myô- mu- shu- kô-.
Minha vida, extensa como incontáveis kalpas,
Ku- shu- gô- shô- tôku.
resulta de uma prática muito longa.

Nhô- tô- u- ti- sha-.
Homens de sabedoria,
Mô’ tô- shi- shô- gui-.
não abriguem nenhuma dúvida sobre isso!
Tô- dan lhô- yô- jin.
Livrem-se das dúvidas definitivamente,
Butsu gô- jí’ pu- kô-.
pois as palavras do Buda são sempre verdadeiras, nunca falsas.
Nhô- i- zen hô-ben.
O Buda é como um excelente médico
I- ji- ô- shi- kô.
que se vale de meios hábeis
Jitsu zai ni- gôn shi.
para curar seus filhos iludidos.

Mu- nô- sê’ kô- mô-.
Embora na realidade esteja vivo, anuncia que entrou no nirvana.
Ga- yaku i-sê- bu-.
Porém, ninguém pode acusá-lo de mentiroso.
Ku- shô- ku- guen sha-.
Eu sou o pai deste mundo e salvo aqueles que sofrem e os que se encontram aflitos.
I- bon bu- ten dô-.
Devido à ilusão das pessoas,
Jitsu zai ni- gon mêtsu.
apesar de eu estar vivo, anuncio que entrei no nirvana.
I- jô- ken ga- kô-.
Pois se me vissem constantemente,
Ni- shô- kyô- shi- shin.
a arrogância e o egoísmo tomariam conta de seu coração.
Hô- itsu jaku gô- yôku.
Ignorando as restrições, entregariam–se aos cinco desejos,
Da- ô- aku dô- tyu-.
e cairiam nos maus caminhos da existência.
Ga- jô- ti- shu- jô-.
Estou sempre ciente de quem são as pessoas
Gyô- dô- fu- gyô- dô-.
que praticam o Caminho e as que não o praticam,
Zui- ô- shô- ka- dô-.
e, em resposta às suas necessidades de salvação

I- sê’ shu- ju- hô-.
ensino-lhes várias doutrinas.
Mai ji- sa- zê- nen.
Medito constantemente:

I- ga- lhô- shu- jô-.
Como posso conduzir as pessoas 
Tôku nhu- mu jô- dô-.
ao caminho supremo
Soku jô- ju bú’ shin
e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?"

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Curiosidades da cerimônia de casamento do Budismo de Nitiren Daishonin.


cerimônia é composta da realização do Gongyo (“prática assídua”) que consiste na recitação dos 2º e 16º capítulos do Sutra de Lótus, seguidos da recitação do mantra Nam-myoho-rengue-kyo que significa: “Sintonizar a minha vida (Nam) com a energia cósmica universal (Myo-Ho), gerando causas e efeitos positivos (Ren-Gue) para transformar minha própria vida (Kyo).” 

Segue-se, então a cerimônia do San San Kudo, tradição milenar japonesa cujo nome significa “três-três-nove vezes”. Na cultura japonesa, o número 3 significa boa sorte e o número 9 a aspiração à máxima boa sorte.

Três taças são levadas aos noivos, uma de cada vez. Cada taça é usada três vezes: a 1ª taça é usada pela noiva, depois pelo noivo, e novamente por ela, vice-versa com a 2ª taça, e assim por diante. Os noivos fazem menção de beber duas vezes, e, na terceira, tomam todo o conteúdo. A primeira taça simboliza gratidão, a segunda juramento, e a terceira o desejo de prosperidade.
 
Em seguida, o brinde se repete, incluindo os pais e padrinhos. Os noivos trocam as alianças em silêncio, e os convidados os parabenizam batendo palmas.

Nesse momento, todos podem dirigir sua energia ao casal, determinando a felicidade permanente e indestrutível do mesmo, e que suas vidas sejam dedicadas a conduzir toda a humanidade ao caminho da felicidade.

A cerimônia se encerra com palavras de felicitação e com a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo três vezes.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Mantras Para Buda.

TATYATA OM MUNI MUNI MAHA MUNI
SHAKYAMUNIYE SVAHA
O SIGNIFICADO
Salve o Sábio, o grande Sábio, o Sábio do clã dos Shakya (Gautama Buda)! 
LITERALMENTE - Aquele que manifestou conhecimento interior, conhecimento interior, grande conhecimento interior, Gautama Buda, Que assim seja !  - Honra a Ele, o Iluminado ! 
TATYATA – Aquele que
OM – Manifestou
MUNI – Conhecimento Interior
MAHA – Grande
MUNI –Conhecimento Interior
SHAKYA MUNIYE - Gautama Buda
SHAKYA - O Grande e Poderoso
MUNIYE - Que Manifesta o Conhecimento Interior
SVAHA - Para este mantra, especificamente, o Plano Mental, o Reino da Iluminação, o chakra da coroa. Que assim seja ! Que se manifeste

OM AMARANI
JIVAN TIYE SVAHA
O SIGNIFICADO 
OM! Possa a vida imortal ser concedida! Que assim seja!
AMARANI – Imortal
JIVAN TIYE – 
Energia para a Vida .
SVAHA –  
Que assim seja! Que se manifeste !

GATE GATE PARAGATE
PARASAMGATE BODHI SVAHA
 
O SIGNIFICADO 
Foi, Foi, Foi Além, Foi Totalmente Além da Iluminação, Que assim seja!
GATE -  FOI
PARAGATE – 
Foi Além
PARASAMGATE – 
Foi Totalmente Além
BODHI – Iluminação
SVAHA – 
Que assim seja! Que se Manifeste!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Perguntas e Respostas Sobre os Buddhistas.

Como se tornar buddhista?
  • No buddhismo não existe uma cerimônia de batismo, tal como na tradição cristã. A entrada formal no caminho buddhista é através o voto de refúgio. Nesta cerimônia, o praticante busca abrigo espiritual nas Três Jóias ou Três Tesouros: no Buddha como seu mestre; no Dharma (o ensinamento de Buddha) como caminho espiritual; e na Sangha (a comunidade buddhista) como companhia no caminho. Após esta cerimônia, o praticante recebe um nome buddhista.

Onde posso começar?
  • No buddhismo, é muito importante o contato com uma linhagem autêntica, que venha desde o Buddha até os dias de hoje. O ideal é procurar um centro buddhista próximo de sua residência e pedir informações sobre palestras, cursos e meditação. Como existem diversas tradições, inicialmente é bom tentar conhecê-las e então descobrir com qual delas se sente mais conexão.

Como proceder quando não há centros por perto?
  • Caso não haja centros buddhistas na sua região, você pode começar a estudar através da Internet, de livros etc. Ainda assim, procure entrar em contato com os centros de localidades vizinhas. A maioria deles oferece retiros e eventos especiais em finais de semana ou feriados. Desta forma, é possível realizar uma viagem até lá, aprender as práticas buddhistas e continuar a praticar em casa.

É necessário raspar a cabeça para se tornar buddhista?
  • Não. Os buddhistas leigos podem continuar a seguir sua vida normal e observar os preceitos destinados a eles. Apenas aqueles que quiserem se tornar monges ou monjas devem observar votos adicionais. Por exemplo, os monges e monjas buddhistas raspam a cabeça (tonsura) e se vestem com mantos, simbolizando sua renúncia às vaidades e o cultivo da simplicidade. Em alguns países da Ásia, existe a tradição de se viver como monge durante algum tempo e depois voltar à vida leiga. Nas tradições tibetanas, existem mestres (Lamas) que não são monges, podendo se casar e viver em família. Muitas tradições japonesas permitem que os monges se casem.

Quais são os preceitos a serem seguidos?
  • No buddhismo, não existem "mandamentos" no sentido de uma imposição por parte do Buddha. Os preceitos são tomados espontaneamente pelos próprios praticantes. Os cinco preceitos mais comuns são: não matar; não roubar; não mentir; não ter uma conduta sexual inadequada; e não se intoxicar. Em algumas ocasiões especiais, mais preceitos podem ser observados. Já os monges e monjas observam mais de duzentos votos.

Os buddhistas são vegetarianos?
  • Não necessariamente. As tradições chinesa, coreana e vietnamita enfatizam a prática do vegetarianismo como complemento ao preceito de não matar. Nas outras tradições buddhistas, o vegetarianismo não é uma regra geral. De fato, até mesmo os vegetarianos causam indiretamente a morte de pequenos animais nas colheitas. Como ato de compaixão, os buddhistas dedicam o mérito de suas práticas a todos os seres.

Como os buddhistas se relacionam com os seguidores de outras tradições religiosas?
  • Ao longo da história do buddhismo, seus seguidores procuraram estabelecer um contato com as outras tradições asiáticas com as quais entraram em contato. Por exemplo, alguns elementos positivos das tradições hindu, taoísta, confucionista, shintoísta e xamânica foram absorvidos por determinadas tradições buddhistas. Em contrapartida, estas tradições também se beneficiaram do seu contato com o buddhismo. Mais recentemente, com a chegada do buddhismo no Ocidente, muitos mestres buddhistas iniciaram um diálogo frutífero com o cristianismo. Os grandes mestres buddhistas costumam estar presentes em eventos inter-religiosos e particularmente nos encontros inter-monásticos.

Os buddhistas são idólatras?
  • Não. As imagens buddhistas representam o estado iluminado do Buddha; as escrituras representam os seus ensinamentos; e os templos e praticantes representam a comunidade buddhista. Estas represetações simbólicas servem de foco para a gratidão dos praticantes às Três Jóias. Os gestos, reverências, oferendas e recitações não são direcionadas aos objetos em si, mas sim para o que eles representam.

Como se comportar num templo buddhista?
  • Ao entrar em um templo, um buddhista geralmente faz três reverências em direção ao altar. Em muitos centros buddhistas, é comum que os praticantes se sentem em almofadas no chão. Caso isto não seja confortável ou apropriado, pode-se solicitar uma cadeira para sentar. Cada tradição possui a sua própria etiqueta em relação aos monges e mestres que conduzem os ensinamentos e as sessões de meditação. Eventualmente, alguma contribuição pode ser solicitada para ajudar nos custos de manuteção do centro.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Perguntas e Respostas Sobre o Budismo.

O que é o buddhismo?
  • O buddhismo é o conjunto de tradições religiosas que surgiram a partir dos ensinamentos de Buddha. Ele não inventou estes ensinamentos — o Dharma —, mas sim re-descobriu verdades atemporais que já tinham sido ensinadas pelos seres iluminados das eras passadas. Atualmente, o buddhismo é a religião mais difundida na Ásia, onde conta com aproximadamente 300 milhões de seguidores. Os primeiros contatos do buddhismo com o Ocidente aconteceram há muito tempo, mas somente a partir do século XIX é que houve um interesse maior por parte dos ocidentais.

O buddhismo é religião, uma filosofia, um sistema de psicologia?
  • A tradição buddhista abrange e transcende todos estes aspectos. Como religião, o buddhismo procura nos "religar" (re-ligare) à nossa verdadeira natureza. Como filosofia, o buddhismo enfatiza o "amor à sabedoria" (philo-sophia) no sentido mais elevado. E como psicologia, o buddhismo oferece um vasto "conhecimento da mente" (psykhe-logos). Acima de tudo, o buddhismo oferece um caminho que conduz ao fim do sofrimento.

O buddhismo é uma ciência?
  • Às vezes o buddhismo é descrito como uma "ciência da mente", no sentido de oferecer um sistema de conhecimento profundo do funcionamento da mente. Os métodos usados pelo Buddha para analisar a natureza das coisas são praticamente científicos. Seus ensinamentos surgiram a partir da profunda contemplação das leis naturais de causa e efeito e podem ser atestados por qualquer pessoa, independente de suas crenças. O próprio Buddha recomendou que seus discípulos devem analisar os ensinamentos e não simplesmente aceitá-los por mero respeito.

Quem é o chefe do buddhismo?
  • O buddhismo não possui uma hierarquia centralizada; cada tradição possui a sua própria estrutura organizacional. Muitos pensam que Sua Santidade o Dalai Lama, Tenzin Gyatso, é o "chefe" do buddhismo. Na verdade, Sua Santidade é o líder espiritual do povo do Tibet, ocupando uma importante posição dentro tradição tibetana Gelug. Entretanto, o Dalai Lama não é "chefe" do buddhismo, pois este posto sequer existe. Muitos praticantes buddhistas de outras tradições buddhistas e não-buddhistas têm grande respeito por ele.

Como são os ensinamentos buddhistas?
  • Há algumas características que permeiam os ensinamentos de Buddha. Qualquer ensinamento que esteja de acordo com estas características pode ser considerado buddhista: todas as coisas condicionadas (ou seja, que surgem de causas) são insatisfatórias; todas as coisas condicionadas são impermanentes; todas as coisas (condicionadas e incondicionadas) são destituídas de um "eu" ou de uma essência independente; apenas o nirvana oferece paz verdadeira. Algumas pessoas pensam que o "buddhismo é pessimista", que "só fala de sofrimento" e "nega a felicidade". Na verdade, o buddhismo adota uma visão realista de nossos problemas e oferece um caminho que conduz à mais elevada felicidade.

O que é o despertar?
  • O despertar, ou iluminação, é o estado mais elevado de virtude e sabedoria. No buddhismo não existe o conceito de "pecado original" porque todos os seres têm o potencial de atingir o despertar. Existe a iluminação dos ouvintes (shravaka-bodhi), aqueles que ouviram os ensinamentos de Buddha e atingiram o despertar; a iluminação dos realizadores solitários (pratyeka-bodhi), aqueles que atingiram a iluminação sem precisar ouvir os ensinamentos de um Buddha; e a iluminação completa e perfeita (samyaksambodhi), atingida apenas pelos Buddhas. Estes três tipos iluminação são progressivamente mais profundos e mais difíceis de atingir.

O que é nirvana?
  • O nirvana é a mais alta felicidade, um estado completamente além do sofrimento. Todos aqueles que atingiram algum grau de iluminação desfrutam da paz do nirvana. Aqueles que atingem o nirvana não estão mais sujeitos ao renascimento no samsara — a existência cíclica — porque estão além do ciclo da morte e renascimento. O samsara é condicionado, isto é, surge de causas e condições; já o nirvana é incondicionado, não depende de causas e condições. Por isso, o nirvana não é um lugar, pois transcende o espaço; e o nirvana é eterno, pois transcende o tempo. O nirvana não é a "extinção do ser", mas sim a "extinção do sofrimento".

Quais são os principais ensinamentos do buddhismo?
  • São as quatro nobres verdades: 1. Todos os seres estão sujeitos ao sofrimento (velhice, doença, morte, insatisfação etc.); 2. O sofrimento surge de causas (cobiça, raiva, ignorância etc.); 3. Ao eliminarmos as causas, o sofrimento é eliminado; 4. Praticando o nobre caminho óctuplo, o sofrimento e suas causas são eliminadas.

O que é o nobre caminho óctuplo?
  • É o caminho ensinado pelo Buddha que conduz ao despertar. Ele recebe este nome por ser dividido em oito práticas, geralmente agrupadas em três treinamentos.
Os Três Treinamentos SuperioresO Nobre Caminho Óctuplo
I. Sabedoria1. Visão Correta
2. Pensamento Correto
II. Ética (ou Moralidade)3. Fala Correta
4. Ação Correta
5. Meio de Vida Correto
III. Meditação6. Esforço Correto
7. Atenção Correta
8. Meditação Correta
Com o treinamento da ética, nossa mente chega a um estado tranquilo, propício à meditação. E com o treinamento da meditação, é possível chegar à sabedoria que conduz ao despertar. O nobre caminho óctuplo também é conhecido como o "caminho do meio" porque é baseado na moderação e na harmonia, sem cair em extremos.

O que é sabedoria?
  • O termo sabedoria não se refere a um mero conhecimento intelectual. Sabedoria é o estado mental que conhece a verdadeira natureza das coisas. Entre as principais características da sabedoria, pode-se enfatizar o desapego e a compaixão — o serviço ativo pelo benefício dos outros.

O que é ética?
  • No buddhismo não há a idéia de "pecado", de uma ofensa causada pela quebra de um mandamento. Entretanto, existem alguns preceitos básicos que constituem a ética buddhista: não matar; não roubar; não ter uma conduta sexual indevida; não mentir; e não usar intoxicantes. Desta forma, são evitadas as ações que resultam em frutos negativos. Em seu lugar, os buddhistas cultivam as ações que conduzem a frutos positivos: praticam a bondade amorosa; a generosidade; o contentamento; a honestidade; e a atenção plena.

O que é meditação?
  • A meditação é um treinamento para purificar a mente de seus aspectos negativos — cobiça, raiva, ignorância — e em seu lugar cultivar os aspectos positivos — generosidade, compaixão, sabedoria. Existem diferentes estilos de meditação buddhista que foram preservadas por diversas tradições. Caso esteja interessado em praticar meditação, é recomendável procurar um professor qualificado de uma tradição autêntica.

O que é karma?
  • Karma signficia ação. Este termo refere-se à lei natural da causa e efeito, as ações e seus frutos. As ações podem ser feitas através da mente (os pensamentos), da fala (as palavras) e do corpo (as ações propriamente ditas). A analogia mais usada para explicar o karma é a do plantio de uma semente, que amadurece e faz surgir frutos. As ações hábeis (positivas) criam virtude e conduzem à felicidade, enquanto as ações inábeis (negativas) criam não-virtude e conduzem ao sofrimento. Apenas os seres iluminados não produzem mais karma, embora ainda estejam sujeitos aos frutos das ações anteriores.

O que é renascimento?
  • É o processo pelo qual os seres nascem novamente após a morte em um dos reinos da existência — entre os deuses, semideuses, humanos, animais, espíritos famintos ou seres dos infernos. O que determina o renascimento é o karma criado anteriormente. Todos os seres que nascem nestes reinos estão sujeitos à velhice, doença, morte e renascimento. Somente ao atingirem a iluminação eles se tornam livres deste ciclo. A palavra "reencarnação" não é muito apropriada pois, segundo o buddhismo, o que continua é o impulso kármico e não há uma "alma" ou "espírito" imortal migrando de um corpo para outro.

Os buddhitas acreditam em deuses?
  • O conceito buddhista de "deus" é diferente do conceito ocidental de um ser supremo, todo-poderoso, criador de todas as coisas. Os deuses não são onipotentes, onipresentes ou oniscientes. São apenas seres que acumularam grande virtude e renasceram em reinos onde desfrutam de muitos prazeres e longa vida. Mesmo assim, eles continuam sujeitos à morte e à queda nos outros reinos. Portanto, no buddhismo não existe a figura de um criador, ao qual devemos idolatrar e servir, nem a ameaça de sermos julgados e jogados no inferno caso não o obedeçamos. A meta da prática espiritual não é a de fugir para um paraíso, deixando os outros seres para trás, mas sim atingir a iluminação e trazer benefícios para todos — não apenas aos seres humanos, mas para todos os seres sem exceção.

Como surgiram o universo e os seres?
  • No buddhismo não existem mitos sobre a "criação". Não houve uma "causa primeira", não aconteceu um evento inicial isolado que possa ser rotulado como "a criação", nem haverá um evento final que possa ser chamado de "o fim do mundo". O tempo não tem início nem fim; da mesma forma, os reinos da existência cíclica não têm início nem fim. Todas as coisas surgiram de suas próprias causas e condições e estão sujeitas à cessação de acordo com essas mesmas causas e condições.

Quais são as escrituras buddhistas?
  • O cânone buddhista é conhecido como Três Cestos ou Tripitaka. Ele recebe este nome porque os ensinamentos do Buddha foram compilados em três grupos. Os discursos atribuídos ao Buddha e seus discípulos foram registrados em textos conhecidos como Sutras. As regras monásticas foram registradas em um conjunto de textos intituladoVinaya. Finalmente, os textos que lidam com questões metafísicas compõem o Abhidharma.

O que são as escolas buddhistas?
  • Conforme se espalhou pela Ásia ao longo dos séculos, a comunidade buddhista — a Sangha — adaptou-se às necessidades locais e fez surgir diversas tradições, ou escolas. Todas as tradições autênticas possuem um núcleo comum de ensinamentos, como as quatro nobres verdades, o nobre caminho óctuplo etc. Cada escola enfatiza determinados aspectos e práticas do ensinamento buddhista. Conhecendo as diversas tradições, também podemos apreciar um pouco das belíssimas culturas orientais. No sul e sudeste asiático, a tradição predominante é a Theravada. Na China, na Coréia, no Japão e no Vietnã, desenvolveu-se o grande veículo ou Mahayana, cujas vertentes mais conhecidas são a escola Zen e a escola Terra Pura. Já no Tibet, Nepal, Mongólia e outras regiões próximas ao Himalaya, o buddhismo tântrico ou Vajrayana fez surgir quatro escolas — Nyingma, Kagyü, Sakya e Gelug

domingo, 30 de janeiro de 2011

O que é o Nirvana ?


No Budismo, Nirvana (Sânscrito: निर्वाण; Pāli: निब्बान; Prácrito: णिव्वाण) é o estado de libertação do sofrimento (ou dukkha) segundo o pensamento dos monges shramana (em Pāli, "Nibbāna" significa "sopro", "soprar", ou até "ser assoprado"), é o estado atingido pelos Arahant. De acordo com a concepção budista, o Nirvana seria uma superação do apego aos sentidos, do material e da ignorância; tanto como a superação da existência, a pureza e a transgressão do físico.
Siddhartha Gautama, o Buda, ou na maioria das tradições budistas, também conhecido como Supremo Buda(Sammāsambuddha) descreveu o Nirvana como um estado de calma, paz, pureza de pensamentos, libertação, transgressão física e de pensamentos, a elevação espiritual, e o acordar à realidade. O Hinduísmo também usa Nirvana como um sinônimo para suas idéias de moksha e fala-se a respeito em vários textos hindus tântricos, bem como na Bhagavad Gita. Os conceitos hindus e budistas de Nirvana "não devem ser considerados equivalentes".
Com esse estado de liberação, quebra-se a roda do karma, interrompendo o processo de contínuos renascimentos.
No entanto, a meta mais elevada do Budismo não é Nirvana, mas Bodhi.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Meus Japamalas By Safih Quelbèrt.

Madeira de Cerejeira. Meru em Madeira.
Madeira Negra e Branca, Rudraksha - semente indiana
que libera substâncias tranquilizantes, que causam relaxamento.
Meru em madeira pirografada.


A história do Buda Shakyamuni.

Buda Shakyamuni nasceu da Rainha Mahamaya e do Rei Shudhodana de Kapilavastu, em aproximadamente 563 antes de Cristo em Lumbini, que é atualmente a divisa entre Índia e Nepal. Antes de ser tornar iluminado ele era conhecido como Príncipe Siddharta.
O Príncipe Siddharta tinha uma vida privilegiada por pertencer à realeza. Ele se casou com Yasodhara e tiveram um filho. Quando ele estava com 29 anos de idade, estava caminhando além das muralhas do palácio quando viu os “quatro aspectos”: um homem doente, um homem idoso, um corpo e um monge. O príncipe até aquele momento apenas conhecia a extrema luxúria da vida no palácio e ficou chocado com o que viu. Então, se sentiu compelido a achar um caminho além do sofrimento da vida e da morte. A partir daquele momento, Siddharta renunciou a sua vida real, deixou sua esposa e filho e partiu em busca de professores espirituais.
Por seis anos se engajou em práticas extremas de renúncia, mas em dado momento percebeu que tais práticas não eram o verdadeiro caminho para transcender o sofrimento. Assim, se dirigiu até Bodhgaya, onde realizou uma pequena mas nutritiva refeição, e com a atitude de discípulo e preenchido por intenso amor-compassivo, se sentou embaixo de uma árvore fazendo votos de não se levantar novamente enquanto não alcançasse a iluminação. Durante a manhã, um Buddha surgiu.
O Buda não começou a dar ensinamentos imediatamente após sua iluminação. A pedidos, ele concedeu seu primeiro ensinamento apenas sete semanas depois. Tal ensinamento ficou conhecido como “A primeira volta da Roda do Dharma”. O ensinamento foi a respeito das Quatro Nobres Verdades: toda vida é sofrimento, o sofrimento tem uma causa, o sofrimento pode acabar e o verdadeiro caminho para o término do sofrimento.
Uma das grandes habilidades do Buda foi dar ensinamentos de acordo com a capacidade de quem os estivesse recebendo. Isso resultou em uma vasta variedade e número de ensinamentos chamados sutras. É dito que existem 84.000 (oitenta e quatro mil) categorias de ensinamentos do Buda.
No Pico dos Abutres, o Buda “girou a Roda do Dharma” uma segunda vez ao ensinar sobre a verdadeira natureza da realidade – a vacuidade de todos os fenômenos. Tais ensinamentos são conhecidos como sutras da Perfeição da Sabedoria.
O Buda girou a Roda do Dharma uma terceira vez em Vaishali e continuou a viajar e dar ensinamentos por muitos anos.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Budismo de Nitiren Daishonin.


Budismo de Nitiren é o conjunto de escolas que seguem o ensinamento budista de Nitiren, monge japonês do século XIII.
Entre outros pontos em comum, essas linhagens afirmam que o Sutra do Lótus torna os demais sutras budistas verdades parciais. Os ensinamentos anteriores teriam sido proferidos pelo Buda Shakyamuni em caráter provisório, de acordo com a capacidade dos ouvintes, enquanto no Sutra do Lótus ele profere seus ensinos a partir de um ponto absoluto, segundo a interpretação do Sutra de Lótus e do Sutra do Nirvana por Nitiren.
Principalmente porque Buda deixou explícita a mensagem de que seria o Sutra Lótus o único Sutra a ser seguido, revela numa passagem do Sutra Lótus que: "Dentre os sutras, Este é o Rei soberano". Sem margem de possibilidade de adoção de qualquer outro tipo de ensinamento.
Outro tópico essencial ao Budismo de Nitiren é a utilização de um único mantra, "NAM MYO HO RENGUE KYO", que, em uma tradução simples, significa "Devoto-me à lei mística do Sutra de Lótus", mas cujas sílabas desdobram-se em outros significados. De acordo com as escolas, O daimoku (como é chamado o mantra), encerraria em si a Lei do Universo e despertaria a natureza de Buda em quem recitasse. Portanto, outro pilar da fé nos ensinamentos de Nitiren seria o poder de atingir o Estado de Buda na existência atual e, através da disseminação dos ensinos (Shakubuku), buscar a paz mundial (kossen-rufu).
Dentre as práticas dessa tradição budista, encontram-se a recitação do mantra Nam-myo-ho-ren-gue-kyo a uma mandala tradicional chamada Gohonzon e a realização de duas cerimônias de oração diárias, denominadas Gongyô, em que são recitados trechos do Sutra de Lótus na pronúncia japonesa do texto em chinês.
Existem dúzias de escolas de Budismo de Nitiren, com significativas diferenças doutrinárias principalmente quanto ao papel exato de Nitiren.
No Budismo Primordial HBS (Honmon Butsuryu-Shu), o Grande Mestre Nitiren Daibossastu, assim chamado, é reconhecido como Mestre Renascimento do Jyougyou Bossatsu, Bossatsu Primordial, que realizou o estabelecimento da Religião do Odaimoku, orando pela primeira vez em voz alta, aos 32 anos de idade, no dia 28 de abril de 1253.
Algumas, como a Nitiren Shu, tratam-no como um importante sacerdote que revelou à população o Verdadeiro Budismo, mas submisso a Shakyamuni. Outras, notavelmente a Nichiren Shoshu e a organização leiga Soka Gakkai, consideram Nitiren como o Buda Original da era de Mappô, dedicando sua atenção a ele em vez de outros Budas, cujos ensinamentos também teriam se tornado impraticáveis e inadaptáveis aos tempos atuais.
É necessário frisar que o budismo de Nitiren baseia-se na lei de causa e efeito, ou seja, na relação entre palavras, pensamentos e ações do indivíduo para com a sua condição de vida presente ou futura. Tudo que o ser humano desfruta de positivo ou negativo é resultado do seu carma, podendo ser ele positivo ou negativo, variando de acordo com suas ações, palavras e pensamentos.

Conceitos
A palavra Daimoku significa "título", e refere-se ao nam-myoho-rengue-kyo, como sendo o título do Sutra de Lótus. Nitiren revelou para a humanidade que ao recitar o título do Sutra de Lótus (Daimoku), está incorporado a recitação de todos os seus 28 capítulos.
O significado do Nam-myoho-rengue-kyo:
Nam - derivado do sânscrito Namas, significa "devotar a própria vida",
Myoho-rengue-kyo - título do Sutra de Lótus, em japonês, o principal ensino do Buda Sakyamuni;
Myo - significa místico, não no sentido de milagre, mas indicando que o mistério da vida é de inimaginável profundidade e, portanto, além da compreensão do homem;
Ho - significa lei. A natureza da vida é tão mística e profunda que transcende o âmbito do conhecimento humano.
Uma lei familiar é encontrada no desenvolvimento do ser humano. Ele nasce, cresce, torna-se jovem e depois idoso e falece. Isso é, obviamente, uma inquebrável lei que regula cada espécie da vida. Ninguém pode nascer como adulto nem escapar desse ciclo. Em suma, Myoho significa Lei Mística, que é a realidade imutável e essencial de todos os fenômenos.
Rengue - significa flor de lótus, que simboliza a simultaneidade de causa e efeito, pois a flor e a semente germinam ao mesmo tempo. O budismo esclarece que todos os fenômenos do universo são regidos por essa lei. Portanto, a condição da vida presente é o efeito das causas acumuladas no passado e as ações do presente criam causas para o futuro.
Kyo - significa sutra ou ensino do Buda, que é eterno. Propaga-se pelas três existências da vida - passado, presente e futuro - transcendendo as condições mutáveis do mundo físico e do ciclo de nascimento e morte.
Assim, sob o ponto de vista do significado literal, o Nam-myoho-rengue-kyo abrange todas as leis, toda a matéria e todas as formas de vida existentes no universo. Se o expandirmos ao espaço ilimitado, é o mesmo que a vida do universo, e se o condensarmos ao espaço ilimitado, é igual à vida individual dos seres humanos. No entanto, esta idéia é superficial, pois a mera tradução dos caracteres não expõe a profundidade da Lei Mística em sua totalidade.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Curiosidades sobre Dalai Lama, em título e pessoa.


Dalai Lama é o título de uma linhagem de líderes religiosos da escola Gelug do budismo tibetano, tratando-se de um monge e lama, reconhecido por todas as escolas do budismo tibetano. Também foram os líderes políticos do Tibete entre os século XVII até 1959, residindo em Lhasa. O Dalai Lama é também o líder oficial do governo tibetano em exílio, ou Administração Central Tibetana. "Lama" é um termo geral que se refere aos professores budistas tibetanos. O atual Dalai Lama é muitas vezes chamado de "Sua Santidade" por ocidentais, embora este pronome de tratamento não exista no tibetano, não se tratando de uma tradução. Tibetanos podem referir-se a ele através de epítetos tais como Gyawa Rinpoche que significa "grande protetor", ou Yeshe Norbu, a "grande joia".
Acredita-se que o Dalai Lama seja a reencarnação de uma longa linha de tulkus, que optaram pela reencarnação, a fim de esclarecer a humanidade. O Dalai Lama é muitas vezes considerado o chefe da Escola Gelug, mas esta posição oficialmente pertence ao Ganden Tripa, que é uma posição temporária nomeada pelo Dalai Lama (que, na prática, exerce mais influência). Dalai significa "Oceano" em mongol e "Lama" é a palavra tibetana para mestre, guru, e várias vezes referido por "Oceano de Sabedoria", um título dado pelo regime mongoliano a Altan Khan (o terceiro Dalai Lama) e agora aplicado a cada encarnação na sua linhagem. Os dalai lamas são mostrados como sendo a manifestação de Avalokiteshvara, o Bodhisattva da Compaixão, cujo o nome é Chenrezig em tibetano. Após a morte do Dalai Lama, uma pesquisa é instituída pelos seus monges para descobrir o seu renascimento, ou tulku.
Entre a era de Lobsang Gyatso e o exílio de Tenzin Gyatso, os Dalai Lama passavam o inverno no Palácio de Potala e nos meses de verão deslocavam-se para Norbulingka, ambos em Lhassa. Em 1959, durante a ocupação chinesa do Tibete, o 14º Dalai Lama foi levado para a Índia por motivos de segurança através dos esforços diplomáticos de Jawaharlal Nehru, o então primeiro-ministro indiano. Desde então, o Dalai Lama têm residido em Dharamsala, no estado de Himachal Pradesh, onde Gyatso pôde estabelecer a Administração Central Tibetana. 

Tenzin Gyatso - Vida
Como 14º Dalai Lama, é líder e mentor do povo tibetano. Considerado por muitos uma das vozes mais lúcidas e comprometidas com a paz, procura estabelecer o diálogo e difundir a necessidade da compaixão no cenário mundial contemporâneo.

Em 1959 foi obrigado a abandonar o Tibete, altura em que este é invadido pela República Popular da China. Disfarçado de soldado e na companhia de familiares, conseguiu atravessar a fronteira da Índia e assim evitou ser capturado pelos chineses. Instala-se em Dharamsala a convite do governo de Jawaharlal Nehru, e aí constituiu o governo tibetano no exílio, onde ainda permanece.
Não sai da Índia até 1967, quando visita pela primeira vez o Japão e a Tailândia. Estava dado o primeiro passo daquilo que se tornou na sua peregrinação ininterrupta pelo mundo, durante a qual luta pelos direitos humanos no mundo mas em especial no Tibete. Luta, mas sempre recorrendo a processos pacíficos, respeitando a doutrina da não violência (a mesma lei defendida por Mahatma Gandhi), pelo que é reconhecido internacionalmente através da atribuição do Nobel da Paz em 1989. O prémio leva a que a causa receba mais atenção e apoiantes, ao mesmo tempo que provoca um embaraço ao regime de Pequim.
Mais tarde deixa de lutar pela independência da Tibete, e passa a propor o Tibete comoregião autónoma da China, com verdadeira autonomia que lhe permita conservar e viver a sua cultura, incluindo a religião (o que actualmente não lhes é permitido, o regime chinês considera que a religião é uma doença para mente).
É reconhecido internacionalmente, em todo o mundo, como líder espiritual do Tibete, mas os governos de muitos dos países que visita evitam contactos oficiais com a Sua Santidade para não ferirem sensibilidades chinesas.


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sobre o Japamala.



Japamala (Japa = repetição, Mala = cordão ou colar) é um objeto antigo de devoção espiritual, conhecido também como rosário de orações no ocidente, sendo utilizado para ajudar nas orações como marcador. Existem de diversos tipos, tamanhos e materiais e podem ter uma quantidade diferente de contas, de acordo com a cultura ou religião.No Hinduísmo e no Budismo se usam com 108 contas, havendo sempre uma conta maior representando a divindade, ao redor do qual giram as 108 distintas manifestações, retornos ou encarnações. É a diversidade que gira em torno de uma única unidade.



O PODER DE UM JAPAMALA
Seu Japamala pode ser imantado com o poder de "Japa" de seu mantra, para isso você precisará praticar todos os dias, por pelo menos 40 dias seguidos. Após 108 dias o mala ficará carregado da energia do poder do mantra entoado/ murmurado/ meditado, e você poderá colocá-lo ligeiramente sobre si ou em outros, para transmitir a energia do mantra, armazenada na mandala de luz, formada em seu japamala.
O ideal seria utilizar um japamala para cada mantra. Quando utilizar o seu japamala com um novo mantra, a energia do novo mantra começará a substituir a energia do mantra anterior, então é recomendado usar um novo japamala com cada mantra, se possível, é claro.Outra boa idéia é ter um japamala para cada raio. Cada um dos sete principais chakras carrega as energias de uma das sete principais consciências de Deus.Quando não estiver utilizando seu japamala, guarde-o em um lugar limpo e sagrado. O melhor lugar para guardá-lo é sobre um altar pessoal ou sobre uma estatueta sagrada de uma divindade.O japamala é utilizado para que uma pessoa possa pensar sobre o significado do mantra e de suas palavras enquanto entoa, sem ter a necessidade de ficar contando às vezes que entoa.

As quatro nobres verdades

A primeira nobre verdade: A vida contém o sofrimento.
A segunda nobre verdade: O sofrimento tem uma causa, e a causa pode ser descoberta.
A terceira nobre verdade: É possível acabar com o sofrimento.
A quarta nobre verdade: O caminho que leva ao fim do sofrimento possui oito etapas.

- Visão ou entendimento corretos
- Intenção correta
- Linguagem correta
- Ação correta
- Modo de vida correto
- Esforço correto
- Atenção correta
- Concentração correta

A vida é insatisfatória. O prazer no mundo físico é passageiro. Disso inevitavelmente vem a dor. Portanto, nada que possamos experimentar é satisfatório. Não há um local de descanso em meio a mudança constante.
Nada é permanente. Toda experiência é varrida pelo fluxo das coisas. O ciclo de causa e efeito é infinito e confuso. Portanto, não é possível alcançar a clareza ou a permanência.
O eu separado e distinto é inconsistente e, em última análise, irreal. Usamos palavras como alma e personalidade para designar algo que é transitório e efêmero. Nossas tentativas de tornar o eu real nunca chegam ao fim, mas também nunca dão certo, em busca de segurança, apegamo-nos a uma ilusão.
Por fim, toda caminhada começa com um simples passo. – Sidarta Gautama, Buda.